A pequenina - The Little girl

A pequenina

Que pune

E pena

É pane!

Pequena...

A pé,

Nua, 

Nina

A pequenina...

The little girl

That punishes

And pains

It's a pity!

Little...

On foot,

Naked 

Lullabies

The little girl...

Sobre

 

O projeto trata das ausências de memórias da infância. Das memórias que se vão carregadas pelo tempo e daquelas que nunca existiram e que estão marcadas como rastros, pequenos indícios, encontrados nos álbuns de família. Um desses indícios é o do abandono afetivo parental, ou melhor, paternal, assunto pouco discutido no Brasil, e notoriamente presente na história de milhares de brasileiros. Como esquecer que se tem um filha(o)? Talvez a forma mais imediata seja não nomeá-la por filha, chamá-la de “a pequenina”, “a pequena”. O artigo “a” marca o distanciamento paterno na linguagem usada nas cartas escritas pelo pai. Como aproximar a filha a um pai? Um fotografia resolve? “Teu papai”. A fotografia é ícone da memória ou índice de esquecimento? São algumas das questões que atravessam esse trabalho. A partir de fotografias, cartas e documentos do álbum de família, reconstruímos poeticamente a infância da “pequenina” expondo os rastros do abando afetivo paternal visíveis no invisível das fotografias. Entre fotos e textos, uma intenção de distância e um pai que não se alcança. 
No vídeo aniversário, por sua vez, vemos o derretimento de uma memória, levada pelo fluxo do tempo e da água que a corrói. Pode realmente a fotografia guardar nossas memórias apesar de tudo? Não seria isso apenas mais uma ficção, uma tentativa de sobreviver ao tempo? 

About

The project deals with the absences of childhood memories. Of memories that are loaded by time and those that never existed and that are marked as traces, small clues, found in the family albums. One of these indications is that of parental affection, or rather, paternal abandonment, a subject not very discussed in Brazil, and notoriously present in the history of thousands of Brazilians. How to forget that you have a daughter? Perhaps the most immediate way is not to name her daughter, to call her "the little one," "the little one." The article "a" marks the paternal distancing in the language used in the letters written by the father. How to approach the daughter to a father? Does a photograph solve? "Your daddy." Is photography a memory icon or index of forgetfulness? These are some of the issues that go through this work. From photos, letters and documents of the family album, we reconstructed poetically the childhood of the "pequenina" exposing the traces of the paternal affective abando visible in the invisible of the photographs. Between photos and texts, an intention of distance and a father that is not reached.
In the video birthday, in turn, we see the melting of a memory, carried by the flow of time and the water that corrodes it. Can photography really save our memories after all? Is not this just another fiction, an attempt to survive time?