Novembro 2012

Frevo

Frevo Bebo Desço Subo Pulo surto Euforia Alegria contagia Milhões Foliões Juntos Ladeiras Vida Mundo. No carnaval do frevo não há espaço pra preposições, conjuções, elementos de ligação. Frevo é ação! É tudo por inteiro, é cheio, é puro, é verbo, é substantivo, é um abuso, absurdo!

Seca

A boca rachada como o solo do açude. A água salobra desce gostosa à boca. O cabelo é palha, seco e quebradiço. Das árvores só os galhos, secos e quebradiços. O corpo aproveita cada gota de suor, salgado, amargo como a vida do gado que de fome tem morto o corpo. Branco, vermelho e cinza são as cores de quando me vejo no espelho. Uma vida inteira agreste... Branca, vermelha e cinza. Seca é minha sina.

Na calçada do samba

Lembro da última dança, do samba, da calçada, da moçada, da cerveja, da noite de sexta, que beleza! Suava, dançava, na cadência do passo, no compasso do samba, com todo o molejo, sorriso e trejeito de quem se sente bamba. E dança, e canta, e chove e morre toda a amargura da vida que também sabe ser dura debaixo da chuva na calçada do samba.

Fotos de minha infância

Vejo as fotos de minha infância e sinto saudade do sorriso que já não tenho. Há alí índicios de melancolia? Não vislumbro nem a sombra da ânsia... Emq ue momento abandonei as linhas de minha mão? A felicidade apenas aconteceria... Tantas buscas em vão. Mas já não sofro. Não choro, nem lamento. Esqueço os pensamentos, observo meus indícios, absorto.

Ao amor

Creio nos amores transparentes, na lealdade do abraço, no carinho de teus braços e nos beijos mais calientes. Jogo o jogo da sinceridade, não finjo, nem digo meias-verdades, quando amo é por inteiro, tudo em mim é verdadeiro. Sofro muito por ser assim, mas prefiro acreditar até o fim que a vida tem mais cor, quanto mais houver amor. Não o amor da conquista, o amor capitalista, que consome as pessoas, inteiras, como mercadorias em prateleiras. Sim ao amor que existia nos versos das antigas poesias e que me enche de saudade de viver um amor de verdade.

Mais uma dose

À noite me delicio no banquete da ilusão. Tomo o vinho das promessas de amor, calor, sexo...sem pudor. Prenúncio da ressaca de solidão. Intercalo com água, para deixar fluir a conversa... sem pressa. Provo dos queijos, beijo, beijo, beijo. Nossos corpos são feitos um para o outro, te escolho. Vem, sou tua. Aquecida de vinho, enebriada de querer, nua. .... Pela manhã desperto, não estás mais tão perto. Na mesa um bilhete e o café amargo das desilusões: "Meu bem, foi só uma festa, te cuidas, não me esperas".

Caso

Meu bem, casa comigo? Eu quero você. Quando a gente se vê? Na minha casa ou na sua... Censura. Corpos, ritmos, calor, amor? Despedida, saudade, dor. Mais uma noite de ilusões despertas pelos corpos, tensões. Uma noite e nada mais. Futuro, adeus! Já vais? Depois do orgasmo só o vazio, o frio. Meu bem, eu caso. Mas sei que para você é só mais uma noite, é ocaso, apenas mais um caso.

Vento

Tem gente que é como eu, que precisa da estrada, da incerteza... para se sentir inteira, em casa. Vagando pelo mundo, mas dono da propria morada. Me deslocando é que me encontro. Meu corpo é onde pouso. Tenho necessidade de movimento... No turbilhão do mundo, encontro meu alento. Navegar, viajar ou simplesmente andar. e são tantas as andanças... Os momentos em que mais me pertenço são aqueles em que estou de mudança. Nem sempre a rotina é a morada da estabilidade, Nem sempre o lar é feito de cimento. Meu lar está onde estou, sou vento.


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