Setembro 2013

À distância

À noite, bares, conversas, conhecidos, desconhecidos, eu, você, olhares, de sim, de não, de histórias contidas à distância.

Monocromia

Entre um piscar e outro, uma lágrima cai. Resumo de minha melancolia cinza, monocromia.

Pedra

Seca que até a lágrima... Só que até o nó... Ausente que até o presente... Pedra que já nem sente.

Amigos

Ah! os amigos... Se não fossem eles, quem estaria comigo? Até a solidão me desacompanha. Chorar é uma façanha. É que o peito de tão cansado dorme enfadado. E a lágrima seca na pele deserta.. E o sorriso é tímido quando despido. E o ouvido é surdo ao burburinho do mundo. E os olhos não enxergam, só esperam... A presença dos que me querem bem são presentes... Amigos que acordam o coração e aliviam o peso da gente!

Solidão

Danço a dança do último balanço e lanço olhares a espera... azares, uns veem, outros vão.. Só, me acostumo, não me assusto, abro um livro, nele vivo, outros mundos.

Estar

A incógnita do futuro, o medo do que eu não vejo, a incerteza do que é belo, a dúvida do que eu quero... Mais eis que chega um momento, o fim do tormento, onde a dúvida se faz certeza, esteja onde esteja.

Eu voo o mundo

Eu voo o mundo só pra esquecer que no fundo estou presa aqui. Tento me libertar das ruas, das pontes, das fontes, do amor, dos amados de tudo o que é passado E caminhar em qualquer direção outro céu outro amanhecer outro sim outro não, esperanças em um vão.

Fera

Quem já viu muita morte por vezes se torna pedra, o coração cheio de amor, e a aparência de fera. Fera que machuca e maltrata, não conhece as palavras que de sua boca derrama em chamas. Fera que não chora o amor, mas absorve tudo o que é dor e se petrifica.

Meu lugar

Debaixo da chuva, na parada, vejo a inundação se aproximar. Sou uma ilha a espera do ônibus de número desconhecido que irá me levar ao lugar de onde vim e estou a procurar. Chove e a água afunda meus pensamentos. pego o ônibus qualquer de um destino que não sei a quem pertence e vou. Chego e abro todas as portas de todos os andares de imensos corredores dos mais variados lares. No ultimo andar vejo uma cadeira vazia que diversas pessoas sentadas me convidam a ocupar.

Caminho

Da chuva da noite passada, o chão de terra molhada. Das sombras da madrugada, os verdes da calçada. Me ergo, caminho, aqueço, descubro antigos segredos. Das montanhas distantes, a vida de antes. Do deserto de pedra, o frio que congela. Abro os olhos, estremeço. Cada caminho é recomeço.

Poesia suicida

Tem dias em que toda a poesia caminha para o desfiladeiro sem medo. Palavras que nascem amputadas em papéis amassados jogados no lixo. Triste destino! Palavras-bomba que detonam meus pensamentos e depois desaparecem como um sopro de vento.

Baleia

Uma baleia gigante atravessou meu instante e me trouxe de volta pro lar. Estava andando nas areias, o mar havia sumido, eu já havia ido. O deserto se aproximava e, no lugar do nada, me pus a nadar.... perdido na areia, no ar, no mar, sem nunca chegar. cansei, mas antes de afundar, uma baleia veio me salvar.

Dias

Nos dias de chuva danço nua. Nos dias de sol caminho só. Nos dias azedos bate um desespero. Nos dias suaves me alimento de saudade... dos dias amarelos doces que nem caramelos, dos dias azuis, em que dormia embalada de luz E esqueço dos dias amargos, que nem as lágrimas adoçavam.

Meditação

Todos bocejavam em ritmo viciante, lá fora a chuva, o vento, aqui dentro a preguiça do pensamento. E esse ar-condicionado gelado, e a monotonia dessa voz sem cadência, me mexo na cadeira sem paciência. Escuto o coro dos bocejos, o mantra da palestra me desperta, entro em estado meditativo à espera...

vazia

O pé está no sapato A perna se curva sobre a cadeira A mão apoia o rosto E o cotovelo sobre a mesa Vazia

Texto

Deixo-te interpretar meus textos, apenas pelo desespero de esperar, na angustia da esperança de criança. Leio-te e defino teu destino, libertador, aprisionador não há escapatória para a dor de não ter. Aquilo que nasce para outrem, que sempre vai além e volta diferente, modificado por outros olhares, nem te reconhece.

Personagem

Sou o principal personagem do site, da televisão, da revista, do jornal, da fotografia no chão. Apanho do chão, do cotidiano, do banal, do racional, do real, da ficção. E olho para mim mesmo, esse personagem representado no espelho.

Imagens

Enquanto a televisão a mim assiste, eu assisto à televisão. em sua tela, estão passando meus erros cotidianos. Desligo o aparelho, um pouco de realidade, abro a porta e contemplo as fotografias da cidade.

Agosto

À gosto de que existe Agosto? Não sei se é o inverno que aproxima esse mês do inferno... de repente é a ventania que varre toda alegria... Ao menos para mim, Agosto nunca teve gosto, nunca foi dez... só des des-ilusão des-tempero des-sabor des-amor... E à gosto do desgosto devorei agosto... Só que hoje, indigesto, ainda arroto seus ventos... levo chuva e frio dissipando Setembro.

comprimido

estico os dedos os pés as mãos as pernas os braços e arrebento o medo.


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