Janeiro 2012

January 1, 2012

Tristeza

Estou triste
E essa tristeza me devora
Mas é preciso continuar
Esperar, esperar, esperar
É tão claro, não há segredos
Um branco que só cega.
Não ilude.
Antes fosse a escuridão
Que dá formas,
Imaginação.
Nem o medo, só uma tristeza
Fina, constante, indolor
Escondida, corrói lentamente minha alegria
Dou-lhe ouvidos
Esperar, esperar, esperar

 

Seu Dia

Mais um dia
Vem…
Acordo e abro a cortina, Sol!
TV, banho, café, roupa, cabelo, bolsa, sapato, ops!
Desligo a TV
Porta, chaves, elevador, – bom dia, carro, garagem, rua
O mesmo mendigo no sinal
Um gesto negativo com o rosto
Primeiro contato
Primeira negação
Um pouco de música pra ser feliz
Som, vibração, canto,
Fico leve
Trabalho, rotina, sorrisos, bons dias, computador, almoço, horário, medo, falsidade, estudo, tédio, horas, minutos, segundos, autômato
E eu que só queria…
Menos um dia
Foi-se…
A noite é minha.

 

Amanhã

Tem dias que tudo flui
A Água, a nuvem, eu, o transito, você
Noutros, tudo estanca
O sangue, a leitura, o vento, nós
Uma batida de surdo que ecoa e
Para
Mar sem onda
Marasmo
A mente fervilha
Uma explosão de imagens querendo ganhar vida, criar, fazer, agir, ver, tocar, ser,beijar, sonhar, dormir, acordar, ter, dar, receber, comer,amar, ler, beber, sofrer, sorrir, fluir
O corpo não responde
Cansados, nos olhamos
Afinal ainda tem amanhã.

 

Tédio

Vontade de não fazer nada
E andar, nadar, amar…
Eita que tem dias que os segundos ficam mais lentos
Penosos, tediosos, vagarosos…
Sentada diante dessa tela de computador
Pisco, digito, cochilo…
Solavanco
- oi o que é?
- né nada não? Tá dormindo é?
-tava, muito obrigada por ter-me a acordado!
Mais quatro horas nesse escritório
Depois , aí sim, andar, nadar, amar…
Ah! Como o tempo é injusto!

 

Sono

Sono,
A cabeça roda
O corpo amolece
Os olhos pesam
Tudo pesa
O mundo se embaça
Como está longe o interruptor de luz
Frio
Se eu me levantar sei que vou despertar
Sono
Droga!
Pronto apaguei a luz, boa noite!

 

Choro

Eu só queria
chorar
aquele choro
de mar
que apaga
espanca
afunda
expulsa
o que restou aqui.

 

 

 

Tempo

TEM
PO
AREIA
SO
PRO

 

Preguiça

preguiça
pura
in natura
e lá se foram 6 meses sem escrever.

 

Agústia

medo
sono
um rangir dos dentes, um coração apertado, um não sei o quê, não dá pra dizer
um jogo de cartas antes do início
durmo
um corpo contorcido.

 

Feliz ano Novo!

Feliz ano Novo.
Comecei o ano fazendo o que faço de melhor em todos os começos de anos: quebrando todas as promessas estapafúrdias que invento de fazer no fim do ano anterior na esperança de ter uma vida mais conforme aos padrões de palavras como saúde, felicidade, tranquilidade, harmonia, etc, etc, que são introduzidas dia-a-dia em minha mente numa tentativa infame de lavá-la e assim mantê-la sob- controle, para o meu próprio bem, claro!
Como em todos os anos anteriores, o que já pode se configurar uma tradição. Na primeira semana do novo ano, me rebelo contra as imposições dos vigias. Derrubo por terra todo o paradigma de saúde e felicidade ao qual devo obrigatoriamente pertencer (segundo o censo, um dos milhares vigias, estou classificada como uma unidade de individuo dentro da famigerada classe média tupiniquim, seja lá o que isso for).
O mais engraçado é que sei que seguindo essa minha “tradição” estou agindo exatamente igualzinho a minhares de outros pseudo-revoltados e assim me encaixo exatamente onde estou nessa coletividade.  Quebrar promessas também é fazer parte, c’est la vie!
Bem, passado esse desabafo, o que eu queria dizer mesmo é que acho uma balela essa história de Feliz Ano Novo, etc, etc, etc. Não existe formula mágica, pensamento correto, filosofia ou religião adequada, programa de televisão, livro, receita de médico ou de bolo que vá garantir que no frigir dos ovos o ano seguinte será bom, ou ruim, ou isso ou aquilo.
Olhe que não estou falando daquele tradicional “Feliz Ano Novo” que todo diz, escreve, posta para amigos, inimigos, conhecidos e desconhecidos. Esse daí faz parte da mesma tradição que leva as pessoas a fazerem promessas no fim do ano e a quebrá-las no ano seguinte.
Do meu ponto de vista, já que só posso escrever por ele, é mais garantido ter um Vivo Ano Novo. Com tudo o que a palavra “vivo” abarca: dramas , contradições, amor, paz, sensibilidade, diversão, felicidade, tristeza, busca, encontros, amadurecimento, retrocesso, etc e mais etcs.
Sendo assim, seguindo a tradição, desejo um Ano Novo bem Vivo para mim mesma!

 

Torturas Natalinas

 Bom dia sol! Bom dia família! Que dia mais iluminado, que vontade de curtir a vida e a companhia de meus entes mais íntimos…
Acordo saltitante, sorridente (como princesa de conto de fadas após o casamento) e digo para minha genitora:
- vamos correr na orla?
Ela responde, igualmente radiante:
- vamos minha filha, você corre e eu caminho, faz bem para o corpo e para a mente.
Saímos, transito, fumaça, um táxi quase nos pega na rua. Eu, louca pra chegar à orla e começar a correr, andava bem devagar acompanhando minha mãe para ela não se sentir só e para trás. Ê lêlê, os sacrifícios estavam só começando.
Corri, mãe ficou para trás caminhando. Ao final, voltamos acabadas e com as pernas doendo.
Missão cuidados com a saúde: cumprida.
Chegando em casa, vontade de tomar um banho e deitar……nada disso! Banho rápido, vestir-se correndo e voar para a cidade, ainda existem compras a fazer. As pernas ainda doem.
Dessa vez minha irmã vai junto, a esperta fugiu da caminhada, supostamente dormindo.
Metrô lotado, cidade tulmutuada, sol quente, abafado, aff! Visão do inferno!
Como se não bastasse, pane nos cartões de crédito (que dominam o mundo junto com os bancos – esses também fora do ar), gente e mais gente nos provadores de roupa, vendedoras querendo empurrar de tudo – até casacão de lã em pleno verão.
Não agüentava mais desejar feliz natal para tanta gente que nunca vi na vida. A vontade era mesmo de gritar um FODAM-SE bem alto e sumir para uma cabana deserta numa montanha gelada…
Missão compras: cumprida
Voltamos ao lar doce lar, ao abrir a porta – estalo! Faltam alguns mantimentos para a ceia! Desgraça pouca é bobagem…
Vou com minha irmã ao supermercado. Nossa mãe fica descansando na rede, afinal, somos jovens e ela já se sacrificou muito por nós (sometimes, i hate nossa cultura cristã ocidental).
Felizes e cantarolando vamos novamente às compras, como se nada tivesse acontecido. Mais filas, gente e felizes natais, voltamos e em fim: “a PAZ invadiu o meu coração…”
Missão compras esquecidas: cumprida
Nem tomo banho, me jogo no sofá e coloco um movie sangrento para assistir, minha mãe ronca…
Fim do filme, fome em alto e bom som na minha barriga, minha irmã dá a sugestão:
- vamos preparar a ceia de natal e comer, também tô morrendo de fome!
Mãe subitamente acorda do sono e responde: – de jeito nenhum, a ceia é de meia-noite!
Eram 18h.

 

Criação

Escrever
Sobre o quê?
Apenas um passatempo,
Ocupar
Digito, espirro, pisco, olho pro lado,
Devaneio, navego, volto,
em fim.
Corre, corre, tá fugindo, não!
Volta.
Esqueço.
Imagens vem e vão
Uma concha navega nas ondas
Fico a esperar
A ideia inusitada
A palavra perfeita
………
Pontos de cor começam a se formar
Na claridade cega do meu pensamento,
Refletindo na branquidão do papel
Cada vez mais cor, cheiro, vida.
Longe de mim, está.
No universo daquela folha,
Não me pertence.
Adeus!

 

Pertencer

Pertencer
É um conceito
Um bem-estar
Tranquilidade
É consciência e leveza
É identidade
É se conhecer
É mesmo distante carregar consigo
O seu mundo
O lugar, o espaço e o tempo
A que pertence

 

Vida Ausente

Mas um dia de novo
Do mesmo
Desse passado que insiste em se fazer presente
E me deixa ausente
Distância, ausência, solidão, saudade, tédio, tristeza
O que foi, vem
Retorna
Revolta
Amanhã, quem sabe
Até onde alcançará o ontem?
Quanto tempo mais nessa prisão
Em vão
Olho ao redor
É tudo estático, Parado, calado,
Apenas o murmúrio do vento
Penso
Como viver uma vida ausente
Noutro canto
Noutro tempo
O que tenho não me pertence

 

Sonho

sonho
E nele vivo o meu mundo
Sensações
Sinto-me eu, eu mesma,
Livre dessa bula de remédio
Sorria, cumprimente, dê importância, elogie
E acima de tudo, concorde
Concorde se possível de hora em hora,
É para o seu próprio bem
Seja legal, simpática, querida
Aceite, aceita
Unha, cabelo, shopping, almoços, bebidas, cinema, roupa, ai como quero casar!
Futilidade
Não, isso não pode, é assim, isso sim
Não tem cor, nem cheiro ou dor
No exército da convivência
Nada tem sabor
Um mundo de padrões, formas, receitas
Siga, se enquadre ou se isole
Por isso sonho
E lá vivo o meu mundo.

 

Please reload

Posts Recentes

09.12.2016

09.12.2016

Please reload

Arquivo
Please reload