Junho 2015

Do Recife pro Sertão

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Recife... Da rua da Praia ao Estelita, dos coqueiros ao azulejo, do frevo ao sertanejo, Contemplo a cultura que afunda nesse teu solo encharcado, tuas palafitas de 32 andares, que se erguem onde antes (a via) mares. Saudoso o tempo em que acreditava haver governo. Hoje, despachantes de empreiteiros. Ahh! a melodia de tuas buzinas embala meus cochilos de motorista, indiferenças em cada esquina. Chineses e cabras da peste por todos os cantos. É a revolução! interfones, smartphones e todos os ones ardem em brasa na fogueira de São João. xote, maracatu e baião, um último gole de esgoto e gasolina navego rio acima... "Vou voltar pro meu sertão"

Enquanto (amarelo)

Enquanto Observava as fotografias amarelas de meu futuro noturno, acendi uma vela. É que luz da vela também é de espera. Por ter parado de fumar, não tive alternativas, só restou o ar amarelo que inalo de meu corpo estarei morto? Que importa, se tenho a eternidade dessa hora. Olho para o relógio e o tempo não passa. passa-tempo-passa-e-nada nesse amarelo silencioso. Ou louco? na loucura da nostalgia futura do que ainda não veio nu-frio-nu-peso desse amarelo espesso.

Sertão

De tão ver sertão aprendi a ser tão tão ser que nem sertão. Seco de tão graveto Areia de tão poeira Eras ser tão de espera Minha pisada faz rachar o chão Meu sopro faz acender o fogo Meu choro faz germinar o broto Passam os sóis... Ser tão verde, Que verde é a cor do ouro. Acho rio acho riacho, rio alto e avoo o sertão de casaca de couro.

Desculpem-me os demais jogadores

Não tenho a missão de ser feliz, de obter sucesso de casar ou fazer sexo. Desculpem-me os demais jogadores. Mas para viver, nada disso é preciso. Objetivos, metas, receitas, modelos, tabuleiros, Dados, casas, cartas ou parceiros de competição - ação -ação... Todos iremos perder. Não me interesso por seguir um roteiro para a felicidade... Prefiro a despreocupação de quem se senta as 5 da tarde para contemplar o desassossego das últimas sombras da cidade.

Melancolia

A Melancolia que escreve meus textos voltou de suas longas férias. Conheceu lugares, admirou paisagens, construiu imagens... De companhia, apenas a Solidão. Fingiu ter amigos e amores (de verdade), Fingiu ainda ter a idade, Fingiu até ser de outra cidade. Rodou, rodou, rodou e voltou... Dos químicos aos mitos, Tudo é Simulação A Verdade, como uma cebola. Aprecio seu sabor... Forte que arde e alimenta. E choro... Me cosola a Solidão. Só, rio. Sinto enorme euforia por ter de volta a Melancolia.

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